Construir imagens é dar vida a uma descrição convincente.  São as imagens que cativam o leitor e o mergulham na história. Anteriormente destaquei Bentinho, pensando nos olhos de ressaca de Capitu. Trago agora um trecho de “O grande Gatsby”, de F. Scott Fitzgerald. Na cena, Daisy lamenta-se por não se casar com Gatsby.

“Eu fui uma de suas damas de honra. Cheguei ao seu quarto meia hora antes do jantar nupcial, e encontrei-a estendida em sua cama, tão bela como a noite de junho, em seu vestido florido…e bêbada como uma cabra. Tinha, numa das mãos, uma garrafa de Sauternes e, na outra, uma carta.

– Felicite-me – murmurou-me ela. – Jamais bebi antes, mas, oh!… Como isto me agrada!

– Que aconteceu, Daisy?

Sentia-me assustada, confesso; jamais vira antes uma garota naquele estado.

– Tome, querida… – Meteu a mão numa cesta de papéis que estava na cama e tirou do fundo o colar de pérolas. – Leve-o para baixo e devolva-o ao seu dono. Diga-lhe que Daisy mudou de ideia. Diga-lhes: “Daisy mudou de ideia!”

Pôs-se a chorar – a chorar sem cessar. Saí a correr, encontrei a criada de quarto de sua mãe. Voltamos para o quarto, fechamos a porta e metemo-la num banho frio. Ela não queria largar a carta. Levou-a para o banheiro com ela, amarfanhou-a, convertendo-a numa bolota molhada e só a largou, na saboneteira, quando viu que ela se desfazia, como neve. ”


 

As imagens de Daisy estendida na cama, “tão bela quanto a noite de junho”, e da carta desfazendo-se como neve, são lindas. Esse tipo de descrição torna a obra envolvente. Outro trecho interessante é o do sorriso de Gatsby.

“Sorriu compreensivamente – muito mais do que compreensivamente. Era um desses sorrisos raros que têm em si algo de segurança eterna, um desses sorrisos com que a gente talvez depare quatro ou cinco vezes na vida. ”

o grande gatsby

Um brinde às belas imagens.

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